quarta-feira, 14 de junho de 2017

JUNHO COM CHUVAS. COISA BOA.

Quer dizer: boa para quem? Essa questão meteorológica é polêmica. Quando criança lembro que cada classe de Escola Dominical da Igreja Metodista (poucas ainda têm estudos em classes atualmente) faziam a sua chamada e um relatório final era lido no encerramento. Ele começava com a data e coma citação "tempo bom" ou "tempo chuvoso". Meu pai logo que assumia uma igreja, contestava isso. Homem da roça, não aceitava que tempo de sol era tempo bom e tempo de chuva não era bom. 
Guardo isso comigo e hoje vejo essa duplicidade de interesses, mesmo na zona rural.
Nas últimas manhãs tenho acompanhado Alcidete e sua turminha aqui na porta, na dúvida: vai ou não vai chover? Vamos ou não pra colheita na roça? Por coincidência todas as manhãs têm amanhecido instável e depois chove, parando logo a seguir ou não, como aconteceu hoje, com um sereninho caindo de vez em quando, até agora à noite.
Ontem elas esperaram e depois saíram para a apanhar café. Estamos no auge da colheita. Deram-se bem pois o tempo firmou. Mas hoje já foi diferente. 
Vi vários grupos retornando pra casa por volta das 9 horas. Perderam o dia.
Puxei uma discussão com Neuza, que me deu mais informações sobre as perdas desse pessoal, num dia como hoje. Acordam 4 da manhã, preparam almoço, colocam na marmita, deslocam-se a pé ou de transporte, numa friagem danada, e logo têm de voltar, também perdendo o o dia, caso a chuva caia.
Os pés molham, dificulta o trabalho de apanha, ficando complicado estender a lona, que fica pesada, no chão molhado, sem condições de ser puxada...  
Ela também me informou que uma diária varia entre 50 a 60 reais, podendo haver também a apanha por tarefa. Por um balaio o dono da lavoura paga 10 reais. Uma pessoa cata, em média, 8 balaios por dia, segundo Neuza, que diz ainda que tem saudades do tempo em que ia para a lavoura, e que isso é uma paixão. São  3 meses faturando. Ela lembra que nesse tempo ganhava um bom dinheiro bom, comprava móveis...
Já Elcinho e Zé Maria não foram prejudicados hoje. Têm serviço interno pra fazerem. O pedreiro que trabalha por dia só recebe as horas que trabalhou, caso chova. Se chover depois das 14 horas, aí tem o dia garantido. Pelo menos é assim que a maioria dos contratantes entende.

Já os pecuaristas, nada têm a reclamar da chuva. Esse ano terão pasto garantido pois tivemos um mês de maio com muita chuva e não é comum chover em junho, como vem acontecendo. Bom pra uns, ruim para outros. 

2 comentários:

  1. Achei muito pertinente a pergunta: - tempo bom, pra quem? Ainda bem que não temos domínio sobre o tempo, pelo menos por enquanto. Seria impossível agradar todo mundo. Durante muitos anos, trabalhei numa grande empresa de base florestal. A equipe da implantação precisava de chuva e a turma da colheita só queria a estiagem. Nas reuniões com a diretoria, essa "disputa" provocava situações hilariantes e até ameçadoras. Se as chuvas não fossem suficientes, as metas de plantio não seriam cumpridas. E a turma da implantação estaria ameaçada de demissão coletiva. Se houvesse chuvas em execesso,os caminhões não podiam transitar no barro. E como a fábrica (celulose) não pode parar, era a turma da colheita que corria o risco de ir para olho da rua. Trabalhei nas duas situações e sempre tive muita sorte. Durante 25 anos consegui escapar das ameaças.

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  2. É meu amigo Cleber, nunca concordei com isso, todos os meios de comunicação quando falam da previsão do tempo, citam tempo bom quando não tem chuva e depois ficam todos desesperados quando as represas e barragens ficam vazias.

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